Origem da Bancoop

Criada em 1996 pelo então presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ricardo Berzoini (atual presidente nacional do PT), mas cresceu muito além de seu objetivo inicial. A cooperativa dos sindicalistas virou uma potência empresarial.  Hoje, a instituição não atende só bancários. Tem 15 mil cooperados, movimenta R$ 150 milhões por ano e já entregou 5 mil imóveis.

A Bancoop ganhou fama entre sindicalistas, políticos e gente de primeiro escalão do governo federal, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Luiz Gushiken e outros.

Atuando no mercado financeiro, a Bancoop lançou um produto conhecido como FDIC, uma espécie de nota promissória. Grosso modo, funciona assim: a cooperativa arrecada dinheiro junto aos investidores e entrega em pagamento os papéis com as dívidas que têm a receber de seus cooperados. Resultado: A Petros, dos funcionários da Petrobrás, foi a primeira a apostar no produto e aplicou R$ 10,6 milhões – um quarto do total. A Funcef (empregados da Caixa Econômica Federal) entrou com R$ 11 milhões e a Previ (Banco do Brasil) deu mais R$ 5 milhões. Outros quatro fundos de pensão estatais, de menor porte, também compraram cotas do fundo da Bancoop.

Toda a operação para arrecadar o dinheiro dos fundos de pensão teria sido realizada por Ricardo Berzoini, na época, ministro da Previdência.

Os grandes fundos de pensão estatais são dirigidos por sindicalistas. Wagner Pinheiro, da Petros, e Sérgio Rosa, da Previ, foram inclusive diretores do Sindicato dos Bancários. O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, é militante histórico do PT. Recentemente, a Petros foi acusada de uso político por ter aplicado em fundos parecidos dos bancos BMG e Rural.

Segundo apontam as notícias veiculadas na imprensa acerca das investigações, Luiz Malheiro, braço direito de Berzoini, teria criado várias empresas para prestar serviços à Bancoop. Uma delas, a MIZU, só existiria no papel. Em documentos da contabilidade dessas empresas há anotações de doações ao PT, não registradas na Justiça Eleitoral.

Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – teria recebido, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006.

Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos trazem fortes indícios que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República.

Em 2004, lançou 52% mais imóveis que em 2003. O mercado caiu 15%. A Bancoop tem obras em andamento no valor de R$ 420 milhões. Muitos bancários, sindicalistas e seus amigos compram imóveis da Bancoop para morar ou como investimento. Seus lançamentos variam de apartamentos de 35 metros quadrados (um quarto), de R$ 60 mil, até a coberturas tríplex, de 250 metros quadrados, de R$ 650 mil. A construtora dos companheiros sindicalistas oferece de casas na praia a apartamentos em Moema, bairro nobre de São Paulo. “Como somos eficientes e não visamos lucros, conseguimos construir casas e apartamentos com valor 30% mais baixo”, diz João Vaccari (suplente do senandor Aloísio Mercadante e um dos coordenadores da campanha de Marta Suplicy), que deixou a presidência do Sindicato dos Bancários para cuidar da Bancoop. Vaccari substituiu o ex-presidente Luiz Malheiro, que morreu num acidente de automóvel na cidade de Petrolina (PE) em 2004, quando voltava de um encontro com políticos do PT.

Em novembro de 2004, o então presidente da Bancoop, Luiz Malheiro e outros dois diretores morrem em um acidente de carro em Petrolina, Pernambuco, após participarem de encontro com políticos do PT. No lugar de Malheiro, assume João Vaccari Neto,

Segundo testemunha, que trabalhou com o então presidente da Bancoop, Luis Malheiro, toda a operação para arrecadar o dinheiro dos fundos de pensão foi realizada por Ricardo Berzoini, na época, ministro da Previdência.
Fonte:Revista Veja, Revista Época, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo

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