O deputado estadual Bruno Covas apresentou nesta quinta-feira, dia 15, na Assembléia Legislativa de São Paulo, requerimento de pesar pela morte do advogado, professor, escritor e jornalista Artur da Tavola, falecido dia 9 de maio, no Rio de Janeiro.
Veja, abaixo, o requerimento do deputado na íntegra.
REQUERIMENTO
Requeiro, nos termos do artigo 165, inciso IX da XIII Consolidação do Regimento Interno, seja consignado na ata de nossos trabalhos manifestação de pesar pelo falecimento, em 9 de maio de 2008, do Sr. Paulo Alberto Artur da Tavola Moretzsonh Monteiro de Barros, ex-senador da república.
Requeiro, ainda, que desta manifestação se dê ciência a seus familiares, através da Sra. Miriam da Tavola, esposa do querido Artur da Távola, e ao Senhor Presidente do Senado Federal Garibaldi Alves e ao Senhor Senador da República Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB.
JUSTIFICATIVA
Nasceu em 3 de janeiro de 1936, na cidade do Rio de Janeiro, Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros, que viria a ser conhecido pelo pseudônimo de Artur da Távola e por sua brilhante trajetória: líder estudantil, advogado, professor, escritor, jornalista, radialista, deputado estadual, federal, senador da república e, principalmente, um ser humano fantástico.
Iniciou seus estudos no Colégio General Osório no Rio de Janeiro, posteriormente, estudou no internato, tendo em vista as dificuldades financeiras enfrentadas pela sua família por conta dos problemas de saúde do seu pai, mas foi na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro que Paulo Alberto descobriu sua vocação à vida pública.
Participante do jornal dos alunos da Faculdade, Paulo Alberto fez uma reportagem na Favela da Marea e naquele momento viu de perto a marginalização e a concentração dos problemas sociais. Sensibilizado, decidiu usar sua vida para contribuir com a diminuição das desigualdades e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nasceu, neste momento, um homem público que iria ajudar em muito a democracia e a sociedade fluminense e brasileira.
Foi eleito presidente do Centro Acadêmico de sua Faculdade e foi um militante do movimento estudantil reconhecido em todo estado do Rio de Janeiro. Tanto que com a transferência da capital brasileira para Brasília e a convocação de Assembléia Constituinte do Estado da Guanabara foi apresentado como candidato do movimento estudantil e logrou êxito no pleito, tendo sido eleito deputado estadual constituinte.
Em 1962 foi reeleito deputado estadual, desta vez sendo o quarto mais votado do estado. Na Assembléia foi o líder da oposição do Governo Carlos Lacerda. Jovem e combativo, autor de CPIs e procedimentos fiscalizatórios do governo, com o início dos anos de chumbo de 64 teve que buscar asilo político na Embaixada da Bolívia. Após, exilou-se no Chile, chegando em Santiago depois de uma viagem de 87 horas de trem, momento em que, acompanhado de mais quatro brasileiro, sentiu novamente o cheiro do mar e as saudades da pátria mãe lhe consumia.
Ficou quatro anos no Chile, na companhia de outros brasileiros como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Francisco Weffort e Plínio de Arruda Sampaio e de amigos que fizeram lá, como Allende, Neruda e Violeta Parra.
Com saudades do Brasil e o desejo que seus filhos fossem criados na cultura brasileira, Paulo Alberto retornou ao país com o aceno de abertura política de Costa e Silva, juntamente com o fundador do Jornal Última Hora, Samuel Wainer e começou a trabalhar neste jornal assinando o editorial de cidades.
Apaixonado por cultura e pelos meios de comunicação, tendo inclusive trabalhado na Televisão da Universidade em que lecionava no Chile, sugeriu a Wainer que fosse modificada a abordagem do jornal sobre TV. Aceita a sugestão, o fundador e editor-chefe do jornal pediu-lhe que criasse outro nome para assinar esta coluna, para que o Paulo Alberto não tivesse duas colunas no mesmo jornal.
Neste momento nasce Artur da Távola, inspirado pelo Rei Arthur da Távola Redonda, viria a ser um dos personagens mais importantes da redemocratização do país.
Com o AI-5, somente a coluna de Artur da Távola pode continuar e sob esta alcunha continua a batalha contra a ditadura.
Com a redemocratização, foi eleito deputado federal constituinte pelo PMDB-RJ, pelo PMDB-RJ, sendo o mais votado da Bancada – 1987.
Ano seguinte, Artur da Tavola participou ativamente da fundação do PSDB no ano seguinte.
Além da fundação, foi um dos líderes mais importantes do partido: foi líder do PSDB na Assembléia Nacional Constituinte – 1988, Vice-Presidente Nacional, Líder da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados em 1994 e, finalmente, Presidente Nacional do PSDB – 1995 a 1997.
Ajudou em muito o governo Fernando Henrique Cardoso e o avanço da social democracia no Brasil.
Em 1994, eleito senador da república, foi um dos mais respeitados membros do Senado Federal. Muito próximo das questões culturais, Presidente da Comissão de Assuntos Culturais, Educação, Ciência e Tecnologia do Parlamento Latino Americano.
Jornalista de profissão, ativo em toda sua vida, apresentava na TV Senado o programa "Quem tem medo de música clássica". Neste programa pode introduzir a melhor música clássica para muitos e muitos jovens e auxiliou na popularização deste gênero musical.
Enfim, muitos e muitos feitos e atributos de Artur da Távola poderiam ser citados nesta justificativa, mas a língua portuguesa tão bem utilizada por ele em seus livros e em seus discursos, ou até mesmo os sons harmônicos das sinfonias, tão bem conhecidos por ele, não podem expressar a sua importância e o dor de sua perda.
Um homem, que sempre dizia que música é vida interior e quem tem vida interior nunca padecerá de solidão, deixa-nos sós no último dia 9, mas sua contribuição como pessoa e como político mudou várias gerações que se espelham num homem público que nunca esqueceu o compromisso que o fez entrar na política: melhorar a vida das pessoas. Oxalá a intuição que sempre esteve presente na vida de Artur da Távola e semeado por ele em muitos políticos e artistas possa florescer uma sociedade justa e igualitária, sonho deste ser humano fantástico que manifestamos sinceras lástimas pelo seu falecimento.
Deputado Bruno Covas
