A renovação da CPMF até 2011, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, e a possibilidade de ação penal contra os 40 denunciados do mensalão foram alguns dos temas discutidos pelo deputado estadual Bruno Covas, ao lado de outros debatedores convidados do programa Gente que fala, levado ao ar hoje, dia 16, pela Rádio Trianon AM.
Apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Ramos, o programa põe em pauta assuntos do dia, que desta vez foram abordados também pelo procurador de Justiça, Dráuzio Barreto, o professor da FEA-USP, Isaías Custódio, e pelo jornalista Hércules Brezeghelo.
Criticada por todos os participantes por ter se tornado mais uma fonte de receita para o governo federal, os debatedores lembraram que a CPMF não atendeu o fim para o qual foi criada pelo então ministro Adib Jatene, em 1996, que era melhorar a saúde no País. Para o deputado Bruno Covas, "como o governo não consegue fazer o ajuste da despesa, pela dificuldade que tem de cortar gorduras, ele se empenha para manter a cobrança da CPMF, que é uma fonte de receita fabulosa".
Bruno Covas ainda argumenta que o contribuinte não agüenta mais a carga tributária que lhe é imposta, "daí o papel da oposição em combater mais um imposto, cujo resultado deveria ser aplicado à saúde e tem sido usado para o governo fazer seu ajuste de despesas. Esta distorção de objetivo é que precisa estar no foco da discussão".
Mensalão
Outro tema do Gente que fala, apresentado por Luiz Carlos Ramos, foi mensalão. Segundo afirmação do procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, as provas do mensalão são suficientes para o Supremo Tribunal Federal abrir ação penal contra os 40 denunciados. Ao comentário de que mensalão sempre existiu, o deputado Bruno Covas rebateu dizendo que "mensalão sempre existiu quando se tem um Executivo corrupto".
E lembrou que se as provas são claras e suficientes, "isso quer dizer que não é verdade que o presidente não sabia de nada. O que precisa ficar claro para a população é que há políticos e políticos, há quem presta e quem não presta. E digo ainda que não basta esperarmos apenas pela punição da Justiça, mas também lutarmos pela consciência dos eleitores que, a cada período, vão às urnas escolher os governantes e os parlamentares".
Sociedade em crise
Também na pauta do dia o caso Suzane von Richthofen, a jovem condenada a 39 anos de cadeia pela morte dos pais e que quer administrar a herança da família. Ao opinar sobre o assunto, o deputado Bruno Covas propôs uma reflexão que vai além do crime cometido, no que foi apoiado por seus companheiros de debate. Bruno chamou a atenção para a crise social em que vivemos, "onde a criminalidade é uma das veias".
"O que estamos experimentando", ressaltou Bruno Covas, "advém da perda de valores, da ausência de respeito ao próximo. É urgente repensar a sociedade e atacar as razões que têm gerado essa crise. Violência, em outros tempos, era um sintoma relacionado à pobreza e presente nas baixas camadas sociais. Mas hoje, quando vemos jovens da classe média espancando uma empregada doméstica em um ponto de ônibus, é evidente que a sociedade, como um todo, está doente".
